segunda-feira, 19 de julho de 2010

Conversão no banheiro

Conversação no banheiro
Ele acordou tarde. A dor de cabeça era bem fina. Lembrava de pouca coisa da noite passada. Flashs alternados, zoadas, perfumes, cascos de cervejas e risadas cortantes em meio a bregas e olhares indomados. Que merda!
Olhou as horas no celular: nove e tantas. Ficou um pouco mais na cama. Morto e suado. Tentava se lembrar de mais coisas. Da garota que dançava a poucos metros. Dos médios peitos que estufavam o decote do leve vestido florido. Era azul-marinho? Foda-se! Sentiu uma angustia entojada. Por fim, levantou-se forçosamente girando a latejante cabeça sobre o pescoço preguento e dolorido.
Enrolou-se na toalha e foi ao banheiro. Ao terminar de escovar os dentes se olhou por um momento no espelho. Os olhos e os lábios estavam vermelhos e inchados. Viu uma certa beleza em si. Resolveu mijar sentado no vaso, pois a fraqueza era imensa, tamanha a ressaca. O tronco do pau doía de tão duro, devido ao excesso de mijo que pressionava a bexiga.
A mijada foi demorada e parecia um jato queimante. A velha preguiça matinal o fez permanecer sentado olhando o membro que amolecia lentamente. Meditava pensamentos desconexos. Algo chamou sua atenção. Um pequeno barulho estranho. Vinha de baixo. Seu pau havia ficado duro, novamente, sem perceber. A uretra parecia bocejar longamente. As sensíveis extremidades se contorciam fazendo pequenos estalos como que sentindo o amargo acumulado de muito tempo de sono. Diabo, será que tô dormindo e sonhando?
- Não, não... - respondeu o membro, terminando de bocejar preguiçosamente.
Tomou um susto danado. Quase cai do vaso apoiando-se na pia.
- Até que enfim, tu se levantou e descarregou. Passei a madrugada acordado, quase pra explodir as veias, dentro dessa cueca imunda que tá só o mijo seco. Já que não banha quando chega chapado, pelo menos troque de cueca, porra! - o pau reclamou mau humorado.
- Que merda é essa? Desde quando tu fala? - perguntou, já sem se importar com tal realidade.
- Desde agora. Tive que me manifestar. Tu precisa de uns conselhos. Uns tocs.
- Uns... como assim?
- Olha, eu não tô aqui pra descer o esporro na tua moralsinha cristã, não. Mas, o negócio é que tu é foda pra caralho.
- Por quê?
- Porra, já faz quanto tempo que tu deu uma espocada?
- Como?
- Ai ai ai. Espocada... estocada... uma TREPADA, merda! - gritou impaciente.
- Mas... porque tu quer saber?
- Por quê? Meu Deus. Me diz uma coisa... quantas meninas tu já traçou?
- Tu sabe quantas, ué. Três.
- Três não, duas. Uma foi por pressão dos caras. Se não fosse eles tu tava encabaçado até hoje, eu acho. A outra foi quando tu tava naquela festa. Tu tava até meio calibrado. Antes de meter tu deu uma pincelada na boca da xoxota. Ali sim, minha cabeça parecia um tomate maduro. A terceira tu brochou, lembra? Quem manda tomar Uma garrafa de Ypióca e uma de Campare? E o pior é que ela era gostosa pra caralho - suspirou o pau, recordando aquela bundinha empinada. - Poxa, ela passou um tempão me chupando e nada. Aquela boquinha de velúdo. Tu é mesmo um filho da puta. Ela cansou e foi embora, peidada. Tudo por causa dessa tua cachaça amuada.
- Nem me lembre disso. Todo mundo acha que eu comi ela, naquele quarto.
- É lógico. Tu mente pros outros não verem que tu é um bosta. E se ela tiver falado pra alguém?
- Acho que não. Ela é gente boa.
- Ela é gente boa. Porra nenhuma! É disso que eu tô falando. Tu é muito certinho. Muito cheio de querer agradar. É por isso que não come ninguém.
- Sim, meu amigo, o que tu quer que eu faça?
- É meu zovo, mesmo! - resmunga a urétra balançando a glande - Faz o que tu pensa toda vez que puxa uma punheta, porra!
- Tem umas gata, aí me dando moral.
- hummm! - O cacete contorce a uretra fazendo um biquinho irônico. Zombeteiro.
- É sério. Tem até uma coroa casada, na parada.
- Êi, uma coroa casada é massa. Vê se pega ela, mesmo. Essas casadas é que é o bicho. Elas gostam de fazer todo tipo de sacanagem, já que os maridos não sabem fazer o caquiado. E dê uma lambidinha no cuzinho. Elas endoidam. Os cornos sempre têm nojo dessas putarias.
- Égua, lamber o cu?
- É claro. Vai me dizer que tu tem nojo, também?
- Sei lá.
- É tiro e queda. Quando tu fizer isso olha pra mulher. Ela falta é rasgar o lençol. - O membro só faltava escorrer a baba de exitação. - Porra, será que eu tenho que pensar por nós dois?
- Certo. Vou tentar.
- Tentar? Tu é um viado, mesmo. Eu só não como o teu cú porque não alcanço.
- Tá, tá, eu vô fazer.
- Faça mesmo. Pense um pouco na minha situação. Eu não suporto mais ser submetido, diariamente, à tua mão grosseira, não. Eu tô cançado de cuspir dentro desse vaso. Quero cuspir numa boquinha delicada, em umas têtas fartas, em um cuzinho apertado.
- Compreendo. Foi mal. - a conversa foi enterrompida por chutes na porta do banheiro.
- Morreu aí dentro, menino?
- Não mãe, já terminei.

6 comentários:

  1. Que penis poeta, gentil e delicado como so ele né. O falo, o falo de exu, sim o penis tem vida propria, e o penis ganha vida, disso eu já sabia, voce é o seu pau... o seu pau é voce, lembrei dos "joãos teimosos" meio moles, meio duros.. pulsando... o pau é mesmo lindo, sinceeeero!

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  2. minha cara Vivi, não haveria comentário mais profundo!

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  3. Será que duas cabeças pensam melhor que uma?

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  4. Depois da Vivi até calo minha boca!

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  5. Genitais falantes nos levariam a verdadeiras sessões freudianas de culpa, excitação, onipotência. Outro puta texto.

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